quinta-feira, 16 de novembro de 2017

RESENHA: MATRIZ

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Fonte: Google Imagens.

Em 1999, o cinema americano produziu Matriz (The Matrix, EUA, 1999), um filme, originalmente subestimado, que arregimentou milhares de admiradores no mundo todo e logo se transformou em uma referência para outras produções cinematográficas.
No filme, Matrix é apresentada como programa de computador que mantém as pessoas em um mundo virtual. Por estarem desde sempre nesse “mundo virtual” essas pessoas não percebem que ele não é real. O filme mostra o “despertar” e descobrir a realidade além desse programa. É uma simulação que cria um mundo imaginário onde as pessoas são prisioneiras de apenas a realidade que as cerca.
Existe uma cena nesse filme, em que o personagem principal, Neo, é levado pelo guia, Morfeu, para ouvir o oráculo. Há uma mulher, uma sibila, que pergunta a Neo se ele leu o que está escrito na porta de entrada da casa em que acabou de entrar. Ele diz que não. Ela lê, então as palavras e explica que são de uma língua desaparecida a muito tempo, o latim.
A mensagem lida, Nosce te ipsum, significa, “Conhece-te a ti mesmo”. O oráculo diz a Neo, que somente ele poderá saber se é ou não aquele, que vai livrar o mundo do poder da Matrix, e, portanto, somente conhecendo a si mesmo terá a resposta. A cena faz referência a um acontecimento passado, ocorrido há 23 séculos na Grécia. Havia na cidade de Delfos na Grécia antiga, um santuário dedicado ao Deus Apolo, considerado patrono da sabedoria. Sobre o portal da entrada do santuário estava escrito, “Conhece-te a ti mesmo”.
Um ateniense chamado Sócrates foi ao santuário consultar o oráculo. O oráculo, que era uma sibila, perguntou-lhe: “O que você sabe? ”. Ele respondeu: “Só sei que nada sei”. Ao que o oráculo disse: “Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe”. Sócrates é considerado o patrono da filosofia.
Que relações e paralelos podemos perceber entre a história de Neo, do filme e da de Sócrates?
Neo, sempre desconfiou de que a realidade não era exatamente tal como se apresentava. Sempre teve dúvidas sobre a realidade percebida, e secretamente, questionava o que era Matrix. Sócrates andava pelas ruas de Atenas questionando tudo, questionamentos sobre a realidade essencial e profunda de uma coisa para além das aparências. Como os de Neo, os combates socráticos eram combates mentais ou de pensamento. Neo precisava conhecer a si mesmo, e Sócrates ajudava as pessoas se conhecerem.

Texto: Ana Clara e Isabela.


  Fonte: Google Imagens.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

UMA CAVERNA MUITO LOUCA E ALGUMAS METÁFORAS


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 Fonte: Google Imagens.

Se você tem ou já teve aulas de filosofia, há uma grande chance de já ter escutado o mito da caverna e se você não conhecia, irá conhecer agora. Essa alegoria foi escrita pelo filósofo grego Platão e se encontra na obra intitulada A República (Livro VII). 
No interior da caverna vivem pessoas que nasceram e cresceram ali. Ficam acorrentados, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna. Atrás dos prisioneiros há uma fogueira, os prisioneiros não podem ver o que se passa atrás deles, nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.

Um dos prisioneiros consegue se libertar e se depara com uma nova realidade, ele explora o interior da caverna e o mundo externo. Ao entrar em contato com a realidade, ele percebe que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. E ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real, fica encantado com os seres de verdade, como a natureza e os animais. Maravilhado, ele volta para contar aos outros prisioneiros o conhecimento adquirido. Porém, é ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois, seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros o chamam de louco e o ameaçam de morte.

Para Platão, o ser humano tem uma visão distorcida da realidade. Analisando o mito, os prisioneiros estão representando, o ser humano, que enxerga e acredita apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. A caverna simboliza o mundo, pois nos apresenta imagens que não representam a realidade. Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando saímos da caverna.

Texto: Ana Clara e Isabela.